O que fazer após uma reprovação em concursos: quando o erro ensina mais que o acerto

O que fazer após uma reprovação em concursos: quando o erro ensina mais que o acerto

Maycon Christopher

Advogado e professor

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Entre o silêncio da reprovação e o recomeço, há um intervalo em que o erro deixa de ser falha e passa a ser formação.

Há um silêncio e um luto específicos que só quem recebe o resultado de uma reprovação conhece. Não é o silêncio de quem não tem palavras, é o de quem tenta entender o que fazer com o tamanho do próprio luto. A ficha cai aos poucos: o esforço, o cansaço, as orações, as revisões, a correria... tudo parece ter sido em vão. Mas não foi.

Se existe algo que o erro faz melhor do que o acerto, é revelar onde ainda precisamos evoluir e crescer. A reprovação não é o fim de um ciclo, mas o início de uma profunda reflexão, um mergulho em si mesmo.

Sobre o luto, não se envergonhe de senti-lo. Apenas não deixe que ele te paralise. Estar enlutado por uma nota, por um resultado, é normal. É parte do processo. É o movimento silencioso da ressignificação.

Não há fraqueza em sofrer, em se frustrar, em perder. Fraqueza é desistir.

Uma coisa que ser concurseiro me ensinou muito foi a humildade. Tornei-me uma pessoa melhor por ter aprendido a perder e desenvolvi isso a partir das minhas frustrações, das minhas derrotas mais profundas.

Destaco aqui o primeiro ENAM: eu vinha bem nas primeiras fases, próximo da nota de corte e, quando minha vida pessoal ganhou alguns contornos diferentes que me impossibilitaram estudar com o mesmo afinco, veio também o ENAM. Pensei que seria habilitado de primeira, mas não foi assim. Foi uma dolorosa reprovação.

Nesse episódio a minha dor foi enorme: não poder fazer mais provas, estar fora do núcleo de concorrência, readequar todo meu estudo. Senti-me atrasado... ou melhor, sendo atrasado. E o luto me paralisou por um tempo. Foi aí que precisei reaprender a respirar antes de recomeçar.

A sua nota (e a minha) não traduzem valor pessoal. São números que falam sobre autoconhecimento: entender onde errou é mais nobre do que acertar por acaso. O pós reprovação precisa reforçar que a derrota expõe o processo, não o potencial.

A reprovação expõe o processo, não o potencial.

Tenha em mente que a reprovação revela números, não o seu caráter. Ela releva, na maioria das vezes, seu domínio naqueles assuntos, mas nunca o seu valor pessoal ou o quanto você vale.

Tendo isso em mente é preciso ir em busca da arte de recomeçar. Vivido o luto, que é um direito seu, feitas as reflexões necessárias e buscado o amadurecimento para prosseguir, está na hora de fazer análises.

Após uma reprovação, faça um diagnóstico honesto de seus erros e acertos por disciplina. Identifique a fonte de cada acerto e de cada erro: se foi doutrina, jurisprudência, letra de lei ou súmula; entenda se foram muitos “chutes”; se houve grande quantidade de assuntos desconhecidos; compare com provas anteriores para compreender se houve evolução ou não.

Esses são alguns exemplos práticos do que fazer para ir adiante. Com seu diagnóstico em mãos, se saberá onde atacar, se é o momento de revisar, mudar o método se preciso, mas sem pular a etapa do amadurecimento e planejamento.

Agora, uma pergunta que não tem relação com conteúdo nem metodologia, mas com sentido e que te fará refletir: quando você perde, você se lembra do porquê tentou? Do porquê começou? Pare agora pra pensar nisso.

Pensou? Volta pro texto aqui. Futuro concursado ou concursada, após uma reprovação, traga sempre à memória o “combustível” que o resultado ruim não pode apagar.

Tenha consciência de que o aprendizado está germinando, mesmo quando nada floresce à vista. Assim como quando fazemos em um caderno de erros, toda reprovação é apenas o rascunho de um acerto futuro. E quem não tem medo de revisar o próprio caminho, cedo ou tarde, escreve sua aprovação definitiva.

O progresso é, na verdade, uma semente invisível plantada todos os dias.


|++ Leia mais: Corrigir prova da qual reprovamos não é o fim é um novo começo

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