
Rolar o feed do TikTok? Sim! Estudar? Não!
Já percebeu que a gente consegue passar meia hora rolando o feed de uma rede social sem perceber o tempo passar, mas dez minutos estudando parecem uma eternidade?
Mas não se culpe tanto. Isso não acontece somente porque simplesmente somos viciados em celular ou dopamina, como já mencionei em outro artigo aqui no site, ou porque somos indisciplinados. As redes sociais são ambientes especialmente eficientes para capturar nossa atenção. Elas oferecem novidade, surpresa, emoção, interação social e recompensas frequentes. Cada vez que deslizamos a tela, há algo novo esperando, com um layout que é bem diferente de um arquivo em pdf, um livro, ou um conjunto de questões que usamos para estudar. Há imagens engraçadas, vídeos de frutas e animais humanóides com aparência, cores e vozes exageradas ou situações com as quais você consegue realmente se identificar. A imprevisibilidade também é um fator fundamental nesse cenário: Tudo o que surpreendente atrai muito a nossa atenção.
Estudar, por outro lado, costuma funcionar de maneira muito diferente. É preciso permanecer diante do mesmo assunto por mais tempo, lidar com informações difíceis e continuar mesmo quando não existe uma recompensa imediata. Um dia desses me deparei com um vídeo super acelerado que mostrava um neurônio criando novas conexões e o título do vídeo era: “É por isso que dói tanto estudar.” Eu gostei muito do título do vídeo porque eu mesma já tive essa sensação, a de que quando me esforço muito pra tentar entender ou aprender algo difícil, que minha cabeça está “saindo fumaça”. Pra resumir, você não consegue aprender o que não prende a sua atenção. Uma pessoa pode passar horas consumindo conteúdo e lembra muito pouco dele. Para aprender de verdade, precisamos processar a informação e conseguir recuperá-la posteriormente.
Gatos, frutas e danças - Por que imagens absurdas ajudam a memorizar?
Existe uma estratégia que pode ser considerada simples na neurociência que torna esse processo mais eficiente. Ele envolve criar associações estranhas, exageradas ou engraçadas. Lembra aquele seu professor do ensino médio ou do cursinho que criava musiquinhas pra você memorizar fórmulas? Era assim que funcionava.
Vou dar um exemplo da minha área de ensino, que é inglês. Imagine que você precisa aprender que slippery significa escorregadio. Você pode simplesmente repetir:
slippery = escorregadio.
Ou você pode imaginar um enorme pinguim andando de skate em uma banana, escorregando e caindo no meio da sala. Quando ele cai, uma palavra escrita no chão: slippery. O absurdo funciona porque o cérebro ama algo interessante ou quando uma informação incomum se destaca. Na psicologia cognitiva, isso está relacionado ao efeito de distintividade, o que quer dizer que estímulos diferentes do contexto podem ser mais facilmente lembrados.
O humor também pode ajudar. Quando uma informação provoca uma reação emocional ou engraçada, ela pode receber um processamento diferente de uma informação completamente neutra. Quando estudamos apenas por meio de palavras, podemos ter menos pistas para recuperar aquela informação posteriormente. Em contrapartida, quando associa a informação a uma imagem estranha e acha isso engraçado, você ativa o córtex visual e as áreas da emoção em sua mente. O recall dessa informação vai ser muito mais fácil se forem criadas várias conexões relacionadas ao que você precisa aprender, ao invés de somente uma. Zhou e Wu (2026), em estudo publicado no British Journal of Educational Psychology, analisaram o efeito do humor em vídeo aulas de vocabulário em inglês. Os resultados indicaram que o humor aumenta o envolvimento e a motivação dos estudantes e, quando relacionado ao conteúdo, também favorece a aquisição do conhecimento.
Mas uma ressalva, claro! Uma imagem engraçada não garante aprendizagem. Se você se lembrar do meme e esquecer do conceito, a estratégia falhou. O objetivo aqui é usar imagens, o absurdo e o humor como um gancho para a informação.
Agora um exemplo prático, vamos lá. Para que isso dê certo, você precisa usar a sua criatividade e imaginação. Então, essa estratégia também pode ser aplicada aos conteúdos mais áridos dos concursos públicos. Imagine, por exemplo, uma questão do TCU que cobre a diferença entre auditoria e inspeção. Em vez de tentar decorar uma definição inteira, você pode criar uma associação visual, imaginando um inspetor com uma enorme lanterna procurando “buracos” nas informações, justamente para lembrar que a inspeção serve para suprir omissões e lacunas, esclarecer dúvidas e apurar denúncias ou representações. A palavra “inspeção” passa a funcionar como uma pista para recuperar todo o conceito. Depois, você pode fechar o material e perguntar a si mesmo “Qual instrumento do TCU serve para suprir omissões e lacunas?”. Se a imagem mental ajudar a chegar à resposta, temos um exemplo de active recall aliado a uma associação visual.
E você que está estudando para concursos, o Caderno de Erros também pode ajudar nessa etapa. No nosso site, você encontra ferramentas pensadas para facilitar a memorização dos conceitos, além de cards com imagens que podem servir como pistas visuais para a recuperação das informações. Aqui fazemos de tudo para ajudar você na sua caminhada até a aprovação.
