Será que eu tenho déficit de atenção? - Parte 3 - O tratamento

Será que eu tenho déficit de atenção? - Parte 3 - O tratamento

Juliana Malheiros

Professora e Psicóloga

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Será que eu tenho déficit de atenção? - Parte 3 - O tratamento

 Como foi descobrir que eu tinha TDAH? Foi preocupante, mas pra falar a verdade, foi de grande ajuda. Eu avaliei alguns dos meus comportamentos desde a época que eu era criança e tudo começou a fazer sentido. Há três tipos de perfis quando se fala no transtorno: o predominantemente desatento, o hiperativo / impulsivo e o combinado. Eu me encaixo no último. Eu sempre fui ótima aluna e meu desempenho acadêmico sempre foi muito bom, mas meu foco era reduzido e minha capacidade de organização era péssima. Cumprir prazos e bater as metas sempre foi um problema e a energia mental que eu gastava estressada com isso mexeu com o meu emocional, causando episódios de ansiedade e depressão.

Infelizmente, eu fiz essa investigação e descoberta já na fase adulta, aos 40, mas quanto mais cedo você procurar ajuda e tratamento, muito melhor. Até hoje eu escuto pessoas admiradas com o meu diagnóstico e as frases são muito parecidas: “Mas você é tão estudiosa! Não pode ter TDAH.” “Se você tivesse isso, não seria bem sucedida no seu trabalho!” A pessoa pode até ser bem sucedida no que faz, mas a que custo? Eu sempre digo para as pessoas que se os sintomas de qualquer problema comportamental ou mental te causam sofrimento e geram muitos conflitos com aqueles que estão ao seu redor, aí sim você precisa buscar um profissional.

A grande boa notícia é que o tratamento existe e ele funciona. Após o diagnóstico, aqui estão os três principais nichos de suporte e intervenção:

 

Acompanhamento com o psiquiatra 

O psiquiatra vai avaliar se é preciso o uso de medicamentos e você vai precisar se consultar com ele de tempos em tempos para que ele administre esse tratamento. Hoje há várias ofertas de remédios que melhoram o foco e dão uma acalmada e organizada naquele turbilhão de pensamentos que eu mencionei no primeiro artigo. Muitas pessoas tem receio de tomar qualquer medicamento prescrito pelo psiquiatra por medo de ficarem dependentes. Entretanto, o plano nunca é tomar remédios para o resto de sua vida, mas iniciar o caminho para a estabilização do quadro.

 

Acompanhamento com o psicólogo

 Um dia desses me perguntaram qual é a diferença entre os dois profissionais. Acreditam que muita gente não sabe? Então, o psiquiatra cuida mais da parte física e química do funcionamento do seu cérebro e ele pode prescrever medicações. Já o psicólogo é um terapeuta da mente e durante as sessões (geralmente 1 por semana), tenta, junto com o paciente, encontrar estratégias para lidar com os problemas causados pelo déficit de atenção e hiperatividade. A linha de trabalho mais comum nesses casos é a TCC - Terapia Cognitivo Comportamental. Ela funciona bem porque é direta, objetiva e oferece estratégias reais para o dia a dia, como agenda visual, divisão de tarefas, treino de atenção, controle de impulsos, mudança de pensamentos que atrapalham, entre outras.

 

Mudança de estilo de vida

 Parece algo óbvio, mas ainda assim vale reforçar. Se você estivesse tratando um problema cardíaco, certamente melhoraria sua alimentação e prática de exercícios físicos, pois eles ajudam a melhorar o foco, o humor e a impulsividade. Além disso, a longo prazo, dormir e comer bem ajudam a diminuir sintomas de inquietação e aumentam o bem-estar geral. Dietas com muitos alimentos ultra processados, açúcares simples e gorduras saturadas têm sido associadas a maior risco ou maior gravidade de sintomas. Cuidar do seu corpo também é essencial!

 

Para finalizar essa série de artigos com chave de ouro e te dar esperança caso você tenha se identificado com as coisas que eu escrevi, te digo que o tratamento realmente pode te ajudar com as suas dificuldades, Hoje me sinto muito mais capaz para lidar com as minhas responsabilidades e as demandas do meu dia a dia. Coisas simples que quase todo mundo faz sem dificuldade, como cumprir uma meta, deixar a mesa organizada e se lembrar de tomar um remédio todos os dias era muito difíceis pra mim, mas agora me sinto muito mais orientada e com a mente mais limpa pra lidar com tudo isso.

 

Agradeço pela atenção de quem leu até aqui e repito que o Caderno de Erros chegou pra te ajudar com a sua rotina de estudos e tudo que envolve o seu sucesso nas aprovações de concurso. A neurociência da aprendizagem pode te ajudar a ser mais produtivo e alcançar os seus tão sonhados objetivos.

Confira as 2 primeiras partes dessa série aqui 👇

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