
Será que eu tenho algum déficit de atenção? Parte 2 - A avaliação
No meu post da semana passada falamos sobre como alguns estudantes se perguntam se sua falta de foco e atenção são normais e gerados somente pelo excesso de compromissos e trabalho ou se há algo a mais. Hoje em dia, a preocupação com a saúde mental está bem mais difundida e felizmente, temos muito mais acesso à recursos que podem nos ajudar a ser mais produtivos.
|++ Leia mais: Será que eu tenho algum déficit de atenção? Parte 1
Com a missão de te informar mais sobre esse assunto, hoje eu vou te explicar como é feita essa avaliação e quais profissionais podem realizá-la. Aqui no Caderno de erros, a gente se preocupa com todos os aspectos do seu aprendizado para que você atinja os seus objetivos.
Quando se trata de TDAH - Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, a avaliação pode ser feita diretamente com um psiquiatra ou um neurologista. O psiquiatra vai coletar informações com o paciente em uma entrevista sobre seus hábitos e comportamentos que estejam causando sofrimento e atrapalhando o seu dia a dia. Isso é chamado de entrevista clínica, onde minuciosamente, o profissional vai avaliar o que está ocorrendo e se esses sintomas também estavam presentes na infância, pois isso é muito relevante. Ele pode também usar questionários padronizados para que você ou algum familiar complete em casa, que são uma entrevista estruturada para o diagnóstico de TDAH em adultos. O papel de um neurologista é também de avaliar, mas ele avalia o cérebro de forma física e pode descartar algum outro problema neurológico que justifique os sintomas.
Um outro profissional muito capacitado a fazer essa avaliação é o neuropsicólogo, que seria um psicólogo com especialização em neuropsicologia. Geralmente, os pacientes são indicados pelo psiquiatra ou neurologista a procurar essa avaliação. O neuropsicologo realiza uma série de entrevistas e testes para saber como o cérebro da pessoa está funcionando e como sua mente se relaciona e interage com o mundo. Ele pode atender crianças com dificuldades de aprendizagem, idosos que estão experimentando mudanças de comportamento e até mesmo pessoas que sofreram lesões e precisam ter suas funções cognitivas avaliadas.
Mas como é feita essa avaliação do TDAH? Os testes avaliam a atenção, concentração, memória, linguagem, planejamento, organização, velocidade de raciocínio e emoções. Algumas das perguntas podem ser desse jeito:
“Com que frequência você tem dificuldade de terminar tarefas que exigem organização?”
“Com que frequência você se distrai com barulhos ou atividades ao redor?”
“Com que frequência você se sente inquieto ou precisa se mover o tempo todo?”
Outros testes podem pedir, por exemplo, que você repita sequências de números ou encontre símbolos específicos em meio a vários parecidos. São atividades simples, mas que ajudam muito o profissional a entender como sua atenção e concentração funcionam na prática.
Se há um padrão de dificuldade mostrado pelos resultados dos testes, o profissional busca entender qual parte do cérebro está envolvida e como esses resultados podem corroborar o diagnóstico previsto pelo médico. Vale lembrar que o diagnóstico nunca deve ser feito com base apenas em testes ou percepções pessoais. Cada pessoa é única, e somente um profissional qualificado pode interpretar corretamente os resultados.
Além disso, é importante destacar que estar desatento nem sempre significa ter TDAH. Às vezes, essa dificuldade de concentração pode estar ligada a estresse, sobrecarga de tarefas, falta de sono, alimentação desequilibrada, sedentarismo ou até uso excessivo de telas. No post da próxima semana, aqui no Caderno de Erros, vamos falar sobre as possibilidades de tratamento. E sobre a minha avaliação? Sim, eu fui diagnosticada com TDAH e vou te contar mais um pouco sobre essa jornada e o que eu fiz pra melhorar no trabalho e nos estudos. Até lá!
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