
Eu não nasci para passar em concurso
Quando eu estava no ensino médio, logo no primeiro ano, a minha adaptação nesse novo estágio da vida e de nível escolar foi muito difícil. Eu havia estudado a minha vida inteira numa escola municipal e no jardim de infância, minha mãe ia até mesmo entregar o meu lanche no muro da escola. Era um ambiente bastante confortável e familiar, mas tudo mudou quando passei pro ensino médio. Como precisei mudar de escola, eu precisava, aos 15 anos, pegar um ônibus sozinha pela primeira vez e academicamente tudo ficou mais difícil, principalmente em Física, que eu bloqueei e não entendia de jeito nenhum.
No meu desespero de adolescente, minha primeira reação foi a de fugir da situação e nos dias das provas do último bimestre, eu não desci do ônibus no ponto em frente à escola; eu simplesmente fiquei fazendo hora na rua e não contei nada aos meus pais. Me sentindo sozinha e culpada, passei por tudo aquilo de forma solitária, até que o professor me chamou e me disse que se eu não tirasse 10 na próxima prova, estaria reprovada. O desespero tomou conta de mim. “Minha vida acabou”!” eu pensei, em um pânico congelante...Fui pra casa no ônibus chorando, pois a prova seria em duas semanas e eu não sabia nada da matéria, até que parei pra pensar por alguns minutos. Clareei a mente e me veio o seguinte pensamento: “E se eu estudar muito? Muito mesmo?”
Então, contradizendo tudo que eu havia feito o resto do ano, parei de chorar e sentir pena de mim mesma e fui para a laje da minha casa, onde quase ninguém ia. Numas cartolinas velhas, copiei várias questões das provas passadas que consegui com um amigo e fiz essas questões várias vezes, incansavelmente, por vários dias, o que me fez memorizar até mesmo as fórmulas. Eu não contei pra ninguém, vivi essa experiência comigo mesma e tenho a certeza de que ela forjou profundamente o meu caráter. O dia da prova chegou e o meu coração saltava dentro do peito. Fiz a prova com facilidade, mas ainda muito temerosa do resultado. O que aconteceu depois foi uma dos momentos mais marcantes da minha vida escolar: eu tirei 10 na prova e passei de ano! Até o professor ficou muito impressionado. Um dos aspectos mais importantes desse depoimento que você pode usar pra você é: sua atitude diante de uma problemática e o que você propaga na sua própria mente sobre isso pode mudar o resultado.
Quando olho para essa história hoje, percebo que o que realmente mudou o meu resultado não foi a minha aptidão na matéria, mas o quanto eu comecei a acreditar na minha própria capacidade. E é exatamente isso que quero que você entenda: a forma como você se enxerga diante de uma dificuldade muda absolutamente tudo. Em algum momento da jornada, quase todo concurseiro já pensou: “Talvez eu não tenha nascido para isso.” Essa frase pode parecer inocente, mas carrega um peso enorme. Ela pode aparecer depois de um dia ruim, quando você teve resultados ruins e esses eventos causam desesperança. O fato é que ninguém realmente nasce sabendo fazer nada. Você não nasce pronto para passar em um concurso, você se torna alguém capaz de passar em um concurso.
Esse tipo de pensamento de fracasso tem explicação. Ele é uma autodefesa da mente: cria uma sensação momentânea de lógica para aliviar a angústia. Só que, apesar de parecer racional, é uma conclusão emocional: uma forma de escapar da dor de tentar de novo.
Preste atenção nesses três cenários e reflita:
1. Quando me comparo com outras pessoas
Item clichê? Sim, claro, mas verdadeiro. Há vários fatores que vão contribuir para você dominar uma matéria mais rápido ou mais devagar, como as escolas onde estudou, sua disciplina durante a vida como estudante ou até mesmo a sua genética, embora não sejam determinantes. Se existem tantas variáveis, porque você acha que vai ser igual a alguém? Continue se esforçando e uma hora o seu sucesso naquilo vai chegar, se você trabalhar duro.
2. Quando me deixo vencer pela sensação de que algo é muito mais difícil do que realmente é
Como no meu relato acima mesmo mostrou, eu acreditava que não era boa em Física; me achava burra para aqueles cálculos. Entretanto, o que estava faltando mesmo era disciplina, esforço e interesse. Avalie se é isso que está acontecendo com você.
3. Quando o esforço não produz resultados imediatos
Esse talvez seja o mais perigoso dos três cenários. A mente cria a ilusão de que, se o resultado não apareceu agora, é porque nunca virá. Mas concursos são justamente o contrário: você planta por meses para colher de uma vez só, lá na frente. Guarde essa frase na sua mente e no seu coração: A maior parte do seu progresso é invisível enquanto está acontecendo.
O que eu quero que você leve desse texto é simples: você não é definido pelo momento difícil em que está agora. Assim como aquela menina de 15 anos que acreditava que nunca entenderia Física, você também está apenas a alguns ajustes de descobrir do que é capaz.
Enquanto isso, o Caderno de erros está com você. Você não precisa passar por isso sozinho. Conte conosco, hoje e sempre!
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