
Neurociência do concurseiro: como mudar uma emoção em apenas 90 segundos
A pessoa que estuda para concursos sente bastante ansiedade e pode passar por momentos de desesperança e estresse. Às vezes, esse sentimento se prolonga e atrapalha um estudo inteligente para concursos. Mas e se eu te dissesse que você pode programar o seu próprio cérebro? E simplesmente mudar a forma como está se sentindo no momento? Uma famosa neurocientista americana desenvolveu uma pesquisa que mostra como isso é possível e vou te falar um pouco sobre o trabalho dela relacionado às emoções.
A Dra. Jill Bolte-Taylor estava no auge de sua carreira em Harvard como pesquisadora em neuroanatomia e neurociência quando sofreu um derrame que a deixou completamente paralisada. O AVC afetou o hemisfério esquerdo do seu cérebro, que é a parte responsável pela linguagem, lógica, organização, cálculo e pela noção de passado e futuro. Sem o hemisfério esquerdo funcionando, ela perdeu a capacidade de se comunicar e também a sensação de passagem do tempo. O hemisfério predominante passou a ser o direito, que é intuitivo, criativo e imaginativo, voltado para o momento presente e para a experiência emocional, mas não verbal. Foi uma época triste e muito difícil, mas ela teve a oportunidade de observar o funcionamento do seu próprio cérebro pela perspectiva de alguém que sofre um grave problema neurológico.
Após quase 10 anos de tratamentos e reabilitação, ela se recuperou completamente e tem várias publicações importantes sobre o tema. Ela percebeu que, durante sua recuperação, quando o lado esquerdo do cérebro não estava mais dominante, ela passou a viver muito mais no momento presente e pôde observar com clareza quanto tempo as emoções levavam para ir embora. O cérebro dela processava as emoções sem prolongá-las desnecessariamente. A grosso modo, se você não alimenta uma emoção, o corpo pára de produzir os hormônios que fariam aquela emoção permanecer.
Pela primeira vez, Jill percebeu que não havia o diálogo interno constante, nem a narrativa repetitiva do hemisfério esquerdo analisando, julgando, lembrando e antecipando problemas. Sem esse fluxo mental, não existia história para prender a emoção no corpo, apenas a experiência pura do sentimento, que se dissolvia naturalmente depois de cerca de 90 segundos. Foi aí que ela desenvolveu essa teoria:
Quando você sentir uma emoção ruim, que está te angustiado e que você não tem o tempo adequado para elaborar naquele momento porque precisa fazer a prova ou preciso estudar , você pode mudar o seu foco, mudando assim como se sente.
Isso pode ser aplicado de várias formas e vou te dar alguns exemplos:
Sorria e até mesmo ria: quando você ri sem vontade, você envia uma mensagem ao seu cérebro dizendo que está bem, até que você fica. Depois pesquisa sobre terapia do riso!
Tenha pensamentos bons, de paz, com positividade.
Exemplo 1:
Você pensa: “Eu não tive tempo suficiente pra estudar, já era.”
Você troca para: “Com o tempo que eu tive, eu aprendi coisas. Vou usar o que eu sei.”
Exemplo 2:
Você pensa: “Se eu errar, vai ser vergonhoso.”
Você muda o foco para: “Ninguém acerta tudo. O importante é seguir.”
Mexa seu corpo, coloque uma música, converse com alguém de sua família ou brinque com seu pet. Quando você faz uma dessas coisas, você dá ao seu cérebro um novo sinal: “eu não estou em perigo”, e isso muda a química do corpo. A mente clareia e você consegue continuar o que precisa fazer.
Pessoalmente, eu já testei esse método e ele realmente funciona. Da última vez que ensinei sobre essa teoria, alguém me questionou dizendo que ignorar as emoções ruins não seria saudável, pois isso significava varrer as coisas pra debaixo do tapete. O método da Dra Jill não é sobre fugir da emoção, mas mudar o seu estado para que ela não te atrapalhe naquele momento. Entretanto, um alerta: se você está constantemente se sentindo muito triste e ansioso sem a presença de um elemento estressor, é melhor procurar a ajuda de um profissional.
E então? Gostou de conhecer mais essa? O caderno de erros não serve para apontar fracassos. Ele existe para registrar aprendizados! Quando você entende como o seu cérebro funciona, você começa a usar o seu próprio corpo e a sua própria mente a seu favor.
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