
A diferença entre evoluir ou continuar preso nos mesmos erros pode estar na forma como você corrige suas questões.
O meu estudo para concurso nunca foi linear e perfeito como muitas aprovações parecem ser na internet, na realidade, eu me vejo muito mais como alguém que está tentando fazer dar certo.
Sou aquela que tenta manter constância, tenta revisar conteúdos, tenta fazer o máximo de questões possível e, principalmente, tenta melhorar a própria forma de estudar todos os dias para conseguir alcançar a aprovação que sonha na Advocacia Pública.
E, justamente por estar sempre tentando melhorar, comecei a perceber algo que me incomodava.
Depois de fazer diversos concursos, minhas notas não evoluíam como eu imaginava. Em algumas provas, inclusive, pareciam até regredir. Isso começou a me chamar atenção porque eu sabia que estava estudando. Talvez não de forma perfeita, organizada ou impecável o tempo inteiro, mas eu estava tentando.
Então por que parecia que eu continuava errando as mesmas coisas?
Hoje, olhando para trás, consigo perceber que uma das principais lacunas da minha preparação estava justamente na forma como eu lidava com os erros: eu fazia muitas provas, mas não corrigia de verdade.
Eu conferia o gabarito. Mas entender o erro de forma profunda? Isso eu ainda não fazia. E, sem perceber, acabava repetindo padrões que eu nem sequer conseguia identificar com clareza.
A pergunta que mudou minha percepção sobre estudo
Essa percepção ficou muito clara para mim em uma mentoria. Em determinado momento, um professor me perguntou quais eram os meus pontos fracos. Ele quis saber quais matérias eu mais errava, quais assuntos apareciam com mais frequência nos meus erros e, principalmente, qual era o motivo deles, se eram, em geral, por falta de conteúdo, interpretação ou desatenção. Eu não soube responder.
Foi então que ele me fez uma pergunta simples: “Você corrige as provas que resolve?”
Na minha cabeça, sim. Eu verificava o gabarito, via se tinha acertado ou errado e, no máximo, olhava qual era a alternativa correta.
Foi nesse momento que ouvi uma frase que abriu meus olhos para algo que até então eu insistia em ignorar:
“Você não está corrigindo. Está apenas conferindo e isso não vai te fazer evoluir.”
Na hora, aquilo pareceu simples. Mas, quanto mais eu pensava, mais percebia que ele tinha razão.
O que realmente significa corrigir uma questão
A partir desse momento, comecei a entender que corrigir uma questão vai muito além de saber qual é a resposta certa. Corrigir envolve analisar o erro, compreender o motivo que levou à escolha da alternativa errada e identificar exatamente o que falhou naquele processo.
E, quando passei a fazer isso na prática, percebi que meus erros não tinham uma única causa.
Nem todo erro é falta de conteúdo
Durante muito tempo, eu tratava todo erro da mesma forma: revisando teoria. Se eu errava, concluía automaticamente que precisava estudar mais aquele conteúdo. Mas, analisando minhas questões com mais profundidade, percebi que nem sempre era isso.
Em alguns casos, eu realmente não dominava o assunto. Em outros, o problema estava na interpretação do enunciado. Havia também situações de desatenção ou até mesmo de confusão entre conceitos que eu acreditava já ter consolidado.
O ponto central é que, até então, eu tratava todos esses erros da mesma forma: revisando o conteúdo. No entanto, nem todo erro se resolve com mais leitura ou mais teoria.
Se o erro decorre de interpretação, o foco precisa ser outro.
Se é desatenção, o ajuste é comportamental.
Se é uma falha recorrente em determinado tipo de questão, isso indica a necessidade de um treino mais direcionado.
Eu, por exemplo, percebi que questões envolvendo jurisprudência recente e alterações legislativas apareciam com frequência entre os meus erros. A partir disso, passei a incluir, diariamente, um bloco de estudo voltado exclusivamente para atualizações jurisprudenciais e legais. Com o tempo, comecei a perceber um salto real no meu rendimento nessas questões.
Foi aí que meu estudo começou a ficar mais estratégico
Essa mudança de perspectiva fez com que eu passasse a estudar de maneira mais estratégica. Ao analisar os erros, comecei a identificar padrões e, com isso, direcionar minhas revisões para os pontos que realmente precisavam de ajuste.
Foi nesse contexto que o registro dos erros deixou de ser apenas um acúmulo de anotações e passou a funcionar como uma ferramenta de análise. Hoje, eu utilizo o sistema do Caderno de Erros justamente para fazer esse mapeamento de forma mais estratégica.
Com o tempo, comecei a criar categorias personalizadas para identificar padrões que se repetiam comigo, além dos erros de interpretação, desatenção ou confusão entre institutos parecidos.
Isso me ajudou a visualizar meus pontos fracos com muito mais clareza e a direcionar minhas revisões de maneira mais inteligente, em vez de simplesmente revisar conteúdos de forma genérica.
Pela primeira vez, comecei a perceber que existia lógica por trás dos meus erros.
Quando o erro deixa de ser só um erro
Depois de aplicar esse método na primeira prova, não fez mais sentido voltar à forma anterior de estudo. A análise do erro passou a fazer parte do processo de aprendizagem.
Por isso, mais importante do que a quantidade de questões que você resolve é a forma como você lida com elas depois.
Fazer muitas questões pode gerar a sensação de produtividade, mas é a análise do erro que, de fato, promove evolução.
O erro, por si só, não é o problema. O problema está em não compreender por que ele aconteceu. Sem essa análise, há um grande risco de repetir o mesmo padrão, ainda que o volume de estudo aumente.
No fim, a diferença não está em quem erra menos, mas em quem consegue transformar o erro em informação útil para ajustar o próprio estudo.
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