
Quer aprender mais nos estudos? Melhore seus hábitos de vida
Imagine essa situação: A universidade colocou todas as provas para a mesma semana. Você trabalha, tem a sua vida pessoal e ainda precisa estudar; por isso, foi dormir tarde todos os dias essa semana estudando. No ônibus, à caminho da universidade, você não aguenta e dorme. O cansaço e a preocupação com as notas fazem você se sentir estressado e fisicamente esgotado. Será que é possível ter uma boa performance acadêmica dessa forma?
Essa é a dura realidade de muitas pessoas que trabalham e estudam, mas principalmente do brasileiro. Em alguns casos, existem pessoas que se dedicam totalmente a estudar, mas isso também depende de uma preparação prévia ou do esforço de alguém que apoia a sua jornada. Creio que essa seja a situação ideal. Entretanto, quem não tem a oportunidade de somente estudar, precisa do melhor cenário possível para que seus esforços sejam bem sucedidos. E acredite, pode ser possível se você ajustar alguns hábitos de vida.
Hoje vamos falar de três fatores que podem influenciar a sua performance nos estudos e nas provas e como recompensa adicional, podem melhorar a sua vida em muitos aspectos. Tenha em mente que essas são dicas baseadas em neurociência, por isso vale a pena coloca-las em prática:
Não pule o café da manhã
Tenho um parente que considera o café da manhã com uma grande prioridade. O fato virou até piada na minha família, pois ele só saía de casa pra começar o dia depois que se sentava para comer como um rei, mesmo que estivesse um pouco atrasado. Anos depois, lembro que uma vez li sobre um experimento muito interessante sobre alimentação com estudantes feito pela Universidade de Missouri (EUA): O estudo recrutou 22 adolescentes do sexo feminino que costumavam pular o café da manhã. Elas participaram de um desenho cruzado e cada participante passou por todas as condições - sem café da manhã, café da manhã normal e café da manhã rico em proteínas. Os pesquisadores avaliaram, entre outros aspectos, atenção, função cognitiva, desempenho mental, memória e atividade cerebral. A conclusão do estudo foi que a adição de um café da manhã rico em proteínas leva à melhora da função cognitiva comparado ao hábito de pular o café da manhã. A relação não é que a proteína deixa a pessoa mais inteligente. O que acontece é que um cérebro bem nutrido consegue executar melhor processos fundamentais para a aprendizagem, como a velocidade de processamento e controle executivo.
A relação entre estudos e atividade física
Claro que parece muito óbvio - ir à academia treinar faz bem pra você, mas eu, particularmente, acredito muito mais e me sinto mais inspirada pra ir se eu sei que isso é provado pela ciência. Então, um estudo da Universidade da Califórnia, realizado com mais de 2,4 milhões de estudantes, encontrou uma associação entre melhor condicionamento físico e melhor desempenho em Matemática e Inglês. O exercício físico não fortalece apenas os músculos. Ele também fortalece o cérebro. Pessoas fisicamente mais aptas tendem a apresentar melhor desempenho acadêmico porque a atividade física melhora o funcionamento de áreas cerebrais responsáveis pela atenção, memória e aprendizagem. Mas como isso acontece? A atividade física melhora a circulação sanguínea, aumenta a oxigenação cerebral e estimula a liberação de substâncias como o BDNF (Fator Neurotrófico Derivado do Cérebro), que favorece a plasticidade cerebral - a capacidade do cérebro de formar e fortalecer novas conexões neurais. Sei que a rotina não é fácil, mas se esforce para incluir uma caminhada, uma corrida leve ou uma sessão de musculação no seu dia a dia, pois essas atividades não servem apenas para cuidar da saúde, mas também ajudam a preparar o cérebro para aprender, memorizar e manter o foco.
Se esquive de notícias ruins
Uma professora que foi muito importante em minha formação deu um conselho à minha turma que eu nunca vou me esquecer: tente não se colocar em situações que podem atrapalhar os seus objetivos, principalmente às vésperas de uma prova. E isso também inclui as coisas que você lê e assiste.
O cérebro humano evoluiu para detectar ameaças à sobrevivência, não para lidar com um fluxo incessante de notícias negativas. Talvez seja justamente por isso que tantas pessoas estejam se sentindo mentalmente sobrecarregadas e isso pode afetar diretamente o seu desempenho nos estudos. Um artigo publicado pelo The Conversation, escrito por pesquisadores da Wilfrid Laurier University discursa sobre assunto. O autor explica que em várias conversas recentes, algumas pessoas lhe contaram que deixaram de olhar o celular logo pela manhã. Não porque nada estivesse acontecendo, mas porque tudo parecia estar acontecendo ao mesmo tempo. Elas descreveram essa sensação como ficar debaixo de uma cachoeira incessante de más notícias. A verdade é que ficar lendo todas essas notícias ruins não faz bem para o funcionamento do seu cérebro, pois ele foi desenvolvido para identificar ameaças, não para processar as más notícias do mundo 24 horas por dia. Tal fato pode explicar por que tantas pessoas chegaram ao seu limite emocionalmente. Esse excesso de informações negativas mantém o cérebro em constante estado de alerta, aumentando o estresse e dificultando a concentração. Esse processo se dá por causa de toda a química envolvendo o estado de prontidão para resolução de crises que sua mente arma por dentro.
Conclusão
Essas são algumas estratégias que podem contribuir para o seu aprendizado. Elas vão resolver todos os problemas que dificultam a rotina de quem estuda? Claro que não. Quem trabalha, cuida da casa, da família ou enfrenta longas horas de deslocamento sabe que nem sempre é possível ter a rotina ideal. Ainda assim, devemos nos lembrar que aprender não depende apenas das horas que você passa diante dos livros. O cérebro também precisa estar em boas condições para transformar informação em conhecimento. Dormir melhor, alimentar-se adequadamente, praticar atividade física e reduzir o excesso de estímulos negativos são escolhas inteligentes que serão muito benéficas!
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